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Segredo revelado

Segredo revelado

17.04.12

Silhuetas...


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Silhuetas

 

 

Duas silhuetas movem-se entre sombras e luzes ,
Naquele lugar onde reina o mistério e sedução.
É aí que me cativas e seduzes,
Aprisionando-me bem dentro de ti ,
No teu corpo e no teu coração.

Corpos nus , vestidos de desejo de prazer carnal,
Deliciando-se mutuamente com carícias sensuais...
Contorcem-se , ao som de gemidos ,
Na ténue linha que separa o bem do mal,
Ansiando por mais , muito mais...sempre mais!
São corpos famintos, famintos até de sussurros nos ouvidos.

Num equilíbrio perigoso entre desejo animal e racional,
Ambos fazem sentido ,aproximando quem quer ceder a esses desejos.
Desejos de língua quente e molhada durante um beijo matinal,
Desejos de que o dia seja vivido na cama , em acesas trocas de beijos.

 

 

 

 

segredo revelado: Poema original cá do je , escrito já não sei quando , porquê ou para quem. Na verdade até sei , mas há segredos que não é suposto serem revelados .Se calhar queriam saber tanto quanto eu e o padre da paróquia, não?! {#emotions_dlg.blink}

 

 

 

03.04.12

Poemas de Almada Negreiros...


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No ''menu'' de hoje temos : 2 poemas de Almada Negreiros, uma imagem de um quadro (''Maternidade'') por ele pintado, um retrato dele e, last but not the least , um gajo qualquer a ler os poemas.

 

A SOMBRA SOU EU

 


A minha sombra sou eu,
ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo luz,
sombra atrelada ao que eu nasci,
distância imutável de minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei dó que seria
se de minha sombra chegasse a mim.
Passa-se tudo em seguir-me
e finjo que sou eu que sigo,
finjo que sou eu que vou
e que não me persigo.
Faço por confundir a minha sombra comigo:
estou sempre às portas da vida,
sempre lá, sempre às portas de mim!

 

 

 

Encontro

 

Que vens contar-me

se não sei ouvir senão o silêncio?

Estou parado no mundo.

Só sei escutar de longe

antigamente ou lá para o futuro.

É bem certo que existo:

chegou-me a vez de escutar.

Que queres que te diga

se não sei nada e desaprendo?

A minha paz é ignorar.

Aprendo a não saber:

que a ciência aprenda comigo

já que não soube ensinar.

O meu alimento é o silêncio do mundo

que fica no alto das montanhas

e não desce à cidade

e sobe às nuvens que andam à procura de forma

antes de desaparecer.

Para que queres que te apareça

se me agrada não ter horas a toda a hora?

A preguiça do céu entrou comigo

e prescindo da realidade como ela prescinde de mim.

Para que me lastimas

se este é o meu auge?!

Eu tive a dita de me terem roubado tudo

menos a minha torre de marfim.

Jamais os invasores levaram consigo as nossas

torres de marfim.

Levaram-me o orgulho todo

deixaram-me a memória envenenada

e intacta a torre de marfim.

Só não sei que faça da porta da torre

que dá para donde vim.

 

 



 

segredo revelado : Artista em diversas áreas de actividade (escrita, pintura, dramaturgia, poesia,...),José de Almada Negreiros nasceu a 7 de Abril de 1893, em S. Tomé e Príncipe, e morreu em 1970, em Lisboa. Foi um dos fundadores da revista “Orpheu” em 1915.

Um dos grandes nomes da cultura ''tuga''.

 

PS : Sim, o gajo que lê os poemas sou eu, não é o Vítor de Sousa , nem nenhum declamador famoso.

04.11.11

AMOR X INDIFERENÇA... (Ana Carolina Loiramar)


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''O pior não é a falta de amor e sim a indiferença.

A falta de amor é coberta por outro amor,

A indiferença fere mata corrói.

Como entender, conhecer viver com alguém a longa estrada da vida,

Estar sempre juntos, na alegria e na doença,

E de uma hora para outra somos tratados com indiferença.

O amor nós conquistamos, nós o encontramos novamente.

Mas o que nos deixa doente, é indiferença que tratam

A gente, de uma mentalidade inconsequente de mudanças repentinas.

É de um total absurdo o tratamento indiferente,

sem motivos aparentes para tal mudança brusca.

O amor acabou ?

..Tudo bem outros virão para dar harmonia a nosso coração.

Mas a indiferença repentina e o desprezo

Como se nós, não tivemos nunca feito parte de uma história.

Ainda que se tenha falta de amor,

O pior é carregar no peito,

A indiferença''

 

 

 

segredo revelado : Indiferença...inconsequência...inconstância. Bah!!

 

 

 

 

12.02.11

Procuro-te...


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Procuro-te

 

Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.

Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"

 


 

 

 

segredo revelado: Todos nós , nalgum momento da nossa vida, pelos mais variados motivos, procuramos alguém ou alguma coisa que traga fulgor à vida, ao passar dos dias cinzentos.

 

22.11.10

Se sou alegre ou sou triste?


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Hoje decidi fazer um post diferente de todos aqueles que já aqui publiquei. Tapem os ouvidos , baixem o som das colunas ou , pura e simplesmente , nem sequer cliquem no ficheiro de som, se não querem ouvir a minha voz.  Pois é , hoje é um post escrito e falado.

Num outro post já tinha feito algo parecido, mas usei uns ficheiros de voz mais pequenos e quase inaudíveis.

Desta vez , pelo menos aqui no meu pc , o som tem muito melhor qualidade , além de o próprio ficheiro de voz ter uma duração maior do que da outra vez.

Cá vai disto...

Afinal , somos alegres ou somos tristes?

Poema de Fernando Pessoa...

Voz da minha pessoa . {#emotions_dlg.blushed}

 

 

 

 

 

Se sou alegre ou sou triste?...

 

Se sou alegre ou sou triste?...
Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?

 

Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sei o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sinto o que Deus fadou.

 

 

Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim...
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim...
Mas a alegria é assim...

 

 

(Fernando Pessoa)

 
 
 
segredo revelado: Se sou alegre ou sou triste? Francamente , não o sei.
Eu , tal como Fernando Pessoa , também não me sei definir como alegre ou triste. Acho que sou alguém que , como tantos outros , oscila entre alegria e tristeza, consoante as vivências diárias, as memórias do passado e as expectativas no futuro.
Ninguém é sempre alegre , nem ninguém é sempre triste. É-se alegre e é-se triste.

 

 

 

 

25.10.10

No meu sonho...


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No meu sonho , aquele sonho que sonho acordado,
És personagem principal do enredo...
Onde estou , estás lá, sempre a meu lado,
Segurando a minha mão, forte como um rochedo.

Este sonho é recorrente, acordado e a dormir,
É um sonho estranho...diferente...
Tem o condão de me fazer sorrir,
De me deixar os olhos com um brilho reluzente.

Toca-me...deixa-me sentir a tua pele!
Só assim, pele na pele, olhos nos olhos, respiração quente,
Saberei que este sonho é real,não é apenas mais um avião de papel,
Daqueles aviões que eu faço planar, mas que acabam esmagados,
Rendidos à força do destino de nascerem para serem espezinhados.

Sussurra-me palavras doces, com voz suave e terna...
De um jeito só teu...único e poético...
Desperta-me os sentidos...Acorda-me este coração que hiberna...
Fá-lo bater, palpitante e irrequieto, a um ritmo frenético.

No meu sonho , aquele sonho que sonho acordado,
És personagem principal do enredo...
Onde estou , estás lá, sempre a meu lado...
Não fujas, não te esfumes em pleno ar...
Sem ti...Oh, tu bem sabes...sem ti tenho medo!

Medo de acordar e não te ver dormir a meu lado...
Medo de adormecer e ter um pesadelo assustador...
Medo da tua ausência, nem que seja só por um bocado...
Medo! Tenho medo que me esvazies do sonho e da realidade do Amor.

 
 

segredo revelado: De há tempos para cá , tenho vindo a passar para formato electrónico parte dos escritos que se amontoam em formato papel . Este é mais um tesourinho ''deprimente'', tirado do fundo do baú .
Este poema, bonito ou feio, não sei, e, na verdade, nem importa, foi, em tempos idos, ainda no século passado,dedicado a alguém muito especial.
Os meus medos confirmaram-se...Fiquei vazio do sonho e da realidade do Amor.
Nem todos os finais, como sempre acontece no cinema, são finais felizes. C'est la vie !